Análise gendrada de queixas clínicas: uma abordagem feminista de gênero
DOI:
https://doi.org/10.18761/vecc01032023Palavras-chave:
Feminismo, gênero, cultura, Análise do ComportamentoResumo
A aproximação da Análise do Comportamento com uma perspectiva feminista tem fomentado discussões sobre a importância de considerar a dimensão sociopolítica na análise de questões relacionadas ao gênero. Pensando nisso, o objetivo desta pesquisa bibliográfica foi investigar se os estudos de caso publicados na Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva (RBTCC) têm contemplado contingências sociais patriarcais na compreensão de queixas clínicas. Foram selecionados artigos, sem restrição de data, com orientação analítico-comportamental que continham ao menos 3 palavras relacionadas ao gênero (e.g., homem, mulher, feminino, masculino). Dos 124 artigos selecionados, 21 eram estudos de caso. Porém, um deles descreveu 4, e outro 2, totalizando assim 25 estudos de caso. Foi possível identificar que as queixas femininas mais recorrentes foram transtornos de
ansiedade e problemas em relacionamentos amorosos; já nos homens foi o comportamento agressivo. Todavia, apenas um texto articulou gênero à cultura, relacionando a dupla jornada de trabalho feminino às queixas clínicas. As análises reiteram alertas anteriores sobre a necessidade de ampliar a análise funcional para abranger contingências que permitam aos analistas
do comportamento compreender e intervir clinicamente nos comportamentos considerando as especificidades de gênero construídas em uma sociedade sexista.
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