Traduzindo sentimentos intraduzíveis: Skinner e o vocabulário da subjetividade
DOI:
https://doi.org/10.18761/AB50AlxD01Palavras-chave:
Skinner B. F., sentimentos, comportamento verbalResumo
O título do capítulo 10 de Sobre o Behaviorismo, de B. F. Skinner, possivelmente é irônico: não se trata propriamente de explorar “O mundo interior da motivação e da emoção”, mas de tratar motivação e emoção como relações comportamentais, necessariamente dependentes de processos sociais. Neste ensaio, dialogando com a perspectiva relacional e contextualista de Skinner, faço uma análise exploratória da linguagem dos sentimentos a partir de três exemplos de nomes de sentimentos típicos da cultura germânica - Schadenfreude, Futterneid e Ruinenlust. Derivo da análise três conclusões: (1) Só é possível compreender o que é sentir, e também compreender como surgem e como são ensinadas as palavras que se referem ao sentir, analisando as relações entre estados corporais e os contextos que os produzem; (2) A emissão de respostas verbais “descritivas de sentimentos” pode ficar sob controle (majoritário ou exclusivo) de variáveis públicas que afetem o falante; (3) A ampla variabilidade cultural na linguagem dos sentimentos se explica não pelas diferenças entre estados corporais, mas pelas diferenças entre as contingências típicas de cada cultura.
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